Ao propormos às escolas uma semana de reflexão sobre a dignidade humana a partir do visionamento de obras cinematográficas, temos bem presente uma época em que a dignidade de muitos provém do facto de enfrentarem a vida como uma luta, seja ela qual for. No cinema, a dignidade humana pode transparecer na narrativa, através do reconhecimento da identidade e respeito pelo «outro» e também nos modos de filmar a imagem, captar o som ou proceder à montagem. De facto, podemos encontrar as imensas possibilidades que o cinema nos traz no eixo de produção de debate e de pensamento crítico sobre isto.
Como é que o cinema nos pode ajudar a sentirmos empatia com o «outro»? Até que ponto a sua matéria, estratégias e narrativas nos permitem pensar sobre a pessoa humana, quando ela enfrenta a realidade de não ter liberdade, de ter de fugir da sua terra, de ser discriminada, de ser vítima de um crime ambiental, de racismo ou de um regime tirânico?
Encontramos este processo de intenções em muitos dos filmes do catálogo do PNC:
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Reconhecer a dignidade humana para lá dos estereótipos e atitudes racistas não serão opções expressas em obras como as longas-metragens de animação Interdito a Cães e Italianos, de Alain Ughetto, A Mais Preciosa Mercadoria, de Michel Hazanavicius, ou a curta-metragem de ficção Monte Clérigo, de Luís Campos?
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Explorar uma ética do olhar e resgatar uma estatura moral nas pessoas representadas, através da forma como a câmara filma o corpo e o rosto, não será uma opção evidente de Sérgio Tréfaut no documentário Lisboetas?
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Utilizar diferentes técnicas de animação como forma de expor a repressão e a discriminação não se manifesta fortemente nas três propostas de curtas-metragens de animação portuguesa A Noite Saiu à Rua ou Clandestino, de Abi Feijó, em cópias digitalizadas pela Cinemateca Portuguesa, e Lugar em Parte Nenhuma, de Bárbara Brandão e João Rodrigues?
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Não será a dignidade de representar o corpo humano e a urgência de denunciar os crimes ambientais contra a humanidade uma intencionalidade forte em O Fotógrafo de Minamata, um filme que nos faz pensar em termos de bioética e proteção da vida humana e ambiental?
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E em Batida de Lisboa, a forma como Rita Maia representa o talento, a esperança e a alegria através da energia e da criatividade musical das comunidades afrodescendentes da Grande Lisboa não será uma das mais comoventes propostas para representar a dignidade dos seres humanos?
21 de março - Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial - ONU
24 de março - Dia Internacional pelo Direito à Verdade sobre Graves Violações dos Direitos Humanos e pela Dignidade das Vítimas - ONU
25 de março - Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravatura e do Tráfico Transatlântico de Escravos - ONU
Todos os filmes propostos neste ciclo estão disponíveis para visulização na plataforma de streaming do PNC.
