Video file
Notas sobre o Catálogo do PNC

"Que não haja mais filmes que só possam ser exibidos na Cinemateca. 

Haja vontade de ver os filmes, haja programadores que os programem, haja comunidades."

José Manuel Costa, 2021

 

 

A arte do cinema ocupa um lugar fundamental na cultura contemporânea ao nível da sua dimensão criadora, mas também enquanto indicador determinante na construção de identidade(s) coletiva(s). O impacto cultural que a imagem em movimento exerce nas sociedades contemporâneas, associado à sua urgência na formação e desenvolvimento de crianças e jovens, têm justificado a proliferação de iniciativas escolares nas áreas do cinema e do audiovisual e, naturalmente, de políticas públicas tendentes a dar mais centralidade à presença do cinema e do audiovisual nas comunidades educativas, nomeadamente o cinema português. 

 

Desde há mais de uma década, o PNC tem desenvolvido a sua ação neste âmbito, enquanto política pública concertada entre a Cultura, Juventude e Desporto e a Educação, Ciência e Inovação, visando dar mais visibilidade ao cinema no sistema educativo, no quadro do Despacho 65/2022, de 5 de janeiro, que o promoveu para o horizonte de 2021-2030, através de trabalho articulado dos parceiros que o integram: o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e o Instituo Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA).  Neste contexto, destaca-se a necessidade de implementar um conjunto de dinâmicas pedagógicas articuladas para divulgar o património fílmico junto do público-alvo escolar.

 

De facto, estando em curso o programa de digitalização do cinema português em alta-definição, a cargo da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, sabemos que a partir de 2022 o programa foi exponencialmente alargado através da linha de financiamento integrada no Plano de Recuperação e Resiliência português (PRR), num conjunto que abarca todo o universo histórico da longa-metragem e parte do da curta-metragem. O tempo tem dado valor ao cinema e esta constatação de que o património cinematográfico e audiovisual é fundamental para o coletivo é tão flagrante que os próprios poderes públicos têm assumido a necessidade de preservar, restaurar e incentivar mais a divulgação deste extraordinário património.

 

Neste contexto, a emergência específica do denominado cinema de património tem vindo a ganhar espaço de exibição em nichos onde ele não se encontrava e mesmo noutros em que nem sequer existia. Esta evidência cruza decisivamente a história, preservação e digitalização do cinema português com os objetivos do PNC, tornou mais urgente o desenho de estratégias de divulgação deste património fílmico junto do público abrangido pela escolaridade obrigatória e esta prática tem sido uma opção clara na seleção de filmes a disponibilizar às escolas pelo PNC. É nossa convicção de que estamos perante uma importante mudança de paradigma, parece-nos que se pode e deve falar de cinefilia em moldes completamente diferentes e, na medida em que o avanço tecnológico possibilita a democratização do acesso à cultura cinematográfica e uma redescoberta (para muitos uma descoberta) do cinema em diversos suportes diferentes, o PNC não pode ser alheio a estas mudanças.

 

 

Critérios gerais da seleção filmográfica e adequação da filmografia disponível ao público-alvo

 

Numa primeira abordagem, torna-se necessário clarificar alguns pressupostos e e princípios, mas também constrangimentos e limitações com os quais a maioria dos utilizadores da filmografia disponível no PNC não estão familiarizados e que influenciam e/ou determinam a seleção dos filmes para o catálogo anual. Assim, são disponibilizados às escolas um conjunto de filmes que são recomendados com carácter de permanência, possibilitando o contacto dos alunos com obras reconhecidas como património relevante na História do Cinema Português.

 

Salvaguardados previamente todos os constrangimentos impostos pela necessidade de acautelar os direitos de autor e conexos, a seleção de obras cinematográficas que constam do Catálogo do PNC resulta de uma apreciação prévia que está a cargo da equipa técnica do PNC, que inclui elementos do Instituto Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema e do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA).

 

 

Em termos gerais, esta seleção resulta:  

  • Da articulação do PNC com a digitalização e preservação do património cinematográfico português, em curso a partir da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema.   

  • Da consulta e seleção de propostas provenientes, quer de entidades do setor do cinema e audiovisual, quer da área da educação e da pedagogia.  

  • Da articulação com os pressupostos constantes no Perfil dos Alunos à Saída da escolaridade Obrigatória, nas Aprendizagens Essenciais e na Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania. 

 

O Catálogo do Plano Nacional de Cinema 2026-2027 está em atualização permanente, sendo os filmes licenciados ao longo de todo o ano letivo, em função do timing possível para os licenciar e contratualizar.

 

Integra uma coleção de filmes portugueses e internacionais e/ou coproduzidos por Portugal e/ou em Língua portuguesa, e constitui-se como um recurso que é disponibilizado de forma gratuita a todas as escolas inscritas no PNC, respeitando direitos autorais e conexos.

 

Resultando da aplicação de um conjunto prévio de critérios específicos, o Catálogo do PNC tem como referências a promoção da sensibilidade estética e artística dos alunos e a divulgação do património cinematográfico junto das comunidades educativas.

 

A distribuição dos filmes constantes no catálogo é sugerida por níveis de educação e ensino e tem por base a idade mínima a partir da qual podem ser visionados.

 

No ano letivo 2026-27, os filmes são disponibilizados às escolas inscritas no PNC, através do dispositivo «O Cinema está à tua espera» (exibições em sala de cinema). Caso não estejam inscritas no projeto, as escolas interessadas devem contactar a equipa do PNC através do email: pnc@dge.eduqa.pt.

 

 

Critérios específicos da seleção filmográfica

 

  • Divulgar junto das escolas obras representativas da História do Cinema, quer nacional, quer internacional, ou seja, filmes que tiveram um impacto significativo na evolução da história e linguagem cinematográfica, na forma como o cinema é produzido ou na forma como o cinema é visto pelo público. 

  •  Valorizar filmes que foram ou são reconhecidos pela sua beleza estética e/ou narrativa inovadora, e/ou direção artística criativa e/ou interpretações marcantes.  

  • Divulgar obras influentes e/ou que inspiraram a produção cultural, que estabeleceram tendências ou que de alguma forma moldaram a produção cinematográfica subsequente.  

  • Valorizar obras de marcada relevância cultural, que abordam temas importantes para a sociedade, que refletem ou criticam a cultura de uma determinada época ou que têm um impacto duradouro na forma como se estabelece a relação com o mundo.  

  • Dar visibilidade a obras fílmicas que permitam conhecer novos mundos, contextos e realidades, e permitam explorar temas como democracia, inclusão e diversidade.  

  • Respeitar critérios de abrangência e diversidade, contemplando diferentes categorias, géneros e cinematografias, de modo a promover o conhecimento e a valorização do património cinematográfico por parte dos alunos.  

  • Fornecer aos professores um conjunto de linha (s) orientadora (s) que incluem uma seleção diversificada de filmes considerados significativos para serem conhecidos a nível nacional. 

  • Sugerir o visionamento dos filmes por níveis de educação e ensino a partir do qual podem ser explorados.  

  • Constituir-se como um ponto de partida de um plano mais vasto de literacia fílmica a desenvolver nas escolas, através dos seus respetivos planos anuais de atividades e da sua programação cinematográfica específica.  

  • Potenciar, sempre que possível, o cruzamento e integração de conteúdos entre disciplinas das diversas áreas científicas do currículo, no sentido de proporcionar experiências culturais enriquecedoras aos alunos e às comunidades educativas, visando uma articulação profícua com: o Perfil dos Alunos à saída da Escolaridade Obrigatória, a Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania e as diretrizes estipuladas relativamente à Inclusão; privilegiar ainda o cruzamento de experiências pedagógicas e iniciativas desenvolvidas no âmbito de diversos Planos, Programas e Redes e/ou outras iniciativas resultantes de políticas públicas na área da Educação, Ciência e Inovação e da Cultura, Juventude e Desporto.  

  • Garantir preferencialmente a divulgação de obras de produção nacional.