2.º Ciclo
Na manhã do dia 24 de Dezembro, um cargueiro entra no porto. A bordo, traz um clandestino, que tenta, durante a noite, alcançar terra firme. Ao longo da corda, o caminho que o levará à liberdade é longo e penoso. Desesperado e nos limites das suas forças, é salvo por um polícia que o deixa ir. Confuso, corre cegamente, convencido de que o polícia queria atingi-lo pelas costas... e então ouve um grito à distância: “Feliz Natal!!” Baseado no conto “O Viajante Clandestino”, extraído do livro “Gente da Terceira Classe” de José Rodrigues Miguéis.
3.º Ciclo
Carla Nowak, uma professora dedicada de Educação Física e Matemática, inicia o seu primeiro emprego numa escola secundária. Destaca-se dos outros docentes graças ao seu idealismo. Quando há uma série de roubos na escola e se suspeita de um dos seus alunos, ela decide investigar o caso. Carla tenta mediar entre pais indignados, colegas obstinados e alunos agressivos, mas vê-se implacavelmente confrontada com as estruturas do sistema escolar. Quanto mais desesperadamente tenta agir de forma correcta, mais a jovem professora se aproxima do seu limite.
No seu primeiro filme de ficção, a basca Estibaliz Urresola Solaguren mostra-nos o verão de uma família cuja filha transgénero, com oito anos, sente desconforto quando toda a gente continua a tratá-la como um rapaz. A história é inspirada no suicídio real de Ekai Lersundi, um rapaz de 16 anos que morreu em 2018. Com Sofía Otero no papel principal, à frente de um elenco que inclui também Patricia López Arnaiz e Ane Gabarain, o filme teve estreia na edição de 2023 do Festival de Berlim, onde ganhou três prémios, incluindo um Urso de Prata para Otero. PÚBLICO
Em plena 2.ª Guerra Mundial, um pobre casal de lenhadores vivia numa vasta floresta, cercados por um ambiente de frio, fome, miséria e guerra que tornavam a vida insuportável. Um dia, a pobre lenhadora encontra um bébé na neve, lançado de um dos muitos comboios que atravessavam a floresta. O bébé é protegido pelo casal e acaba por transformar por completo a vida daquele casal, mas também do homem que atirou a pequena «mercadoria» pelo comboio. O filme, de Michel Azanavicius, realizador de ascendência judaica, adapta o conto homónimo de Jean-Caude Grumberg, escritor e dramaturgo francês cujos avós e pais foram brutalmente assassinados em Auschwitz.
O filme Cerromaior retrata as injustiças da sociedade rural dos anos 30, marcada pela relação desigual entre o trabalhador agrícola e o latifundiário. Adriano é um jovem criado de uma família abastada que se dedica à agricultura no Alentejo e que regressa a casa depois de uma estada, falhada, em Lisboa. O realizador Luís Filipe Rocha dá corpo à estória de Manuel da Fonseca, que, em 1943, escreveu este romance dedicado à solidão, miséria e desespero, num Portugal dominado pela ditadura.
É como fuligem que se deposita nas paredes da nossa cabeça. Não a vemos. Já faz parte.
Um adolescente é forçado a trabalhar durante o verão numa torre de vigilância florestal, indiferente aos trabalhadores imigrantes nas estufas que o rodeiam. Trata-se de um drama que cruza as vivências do verão de um adolescente com a grave crise dos trabalhadores imigrantes nas estufas do litoral de Portugal.
A história do filme baseia-se livremente num texto para teatro escrito por dois escritores africanos consagrados, o angolano José Eduardo Agualusa e o moçambicano Mia Couto: “A Caixa Preta” (que mais recentemente foi reescrito como conto e incluído no livro “O Terrorista Elegante e Outras Histórias”, editado em 2019). No texto original, a história decorre inteiramente num único espaço no tempo atual. Entre muitas alterações, o filme acrescenta um tempo passado (1995), em decorre a busca de Nayola, guerrilheira relutante, pelo marido desaparecido na guerra civil. Este tempo alterna constantemente com a atualidade, o tempo da filha, Yara, ativista e rapper perseguida pelas autoridades (mais uma alteração à história original, inspirada nos acontecimentos mais recentes em redor do rapper Luaty Beirão) que se interroga sobre a ausência da mãe e do pai.
O filme aborda o problema da doença de Minamata (Kumamoto, Japão) uma forma grave de intoxicação por mercúrio. No início da década de 1970, o célebre fotógrafo da revista “Life”, W. Eugene Smith (no filme interpretado por Johnny Depp) documentou essa doença causada pela poluição industrial da empresa de químicos Chisso ( Chisso Corporation, no Japão). O filme de Andrew Levitas conta essa história e aborda questões ambientais, sociais, de responsabilidade ética, além de se focar na vida de um dos mais importantes fotojornalistas norte-americanos do século XX.
Após um estranho e misterioso evento, Grão nasce na horta, emergido da terra, como se fosse uma planta. Para Razina é um menino, e a criança é educada assim. Durante 17 anos Grão cresce, preso à horta. Um dia, Grão, já adulto, sai da terre e descobre o seu corpo. Será ele capaz de encontrar a paz interior partilhando um género biológico que não corresponde a sua identidade?
A partir das memórias afetivas e visuais da infância, a autora pretendeu fazer uma homenagem ao seu tio Tomás, um homem humilde e um pouco excêntrico que teve uma vida simples e anónima. Com este filme, diz a autora, «eu gostaria de testemunhar como não é preciso ser-se alguém para se ser excecional na nossa vida.»
Zé Pedro, o lendário guitarrista de Xutos e Pontapés, é para muitos a maior figura do rock ‘n’ roll português. Foi o grande impulsionador do género musical em Portugal, não só enquanto guitarrista fundador de uma das mais aclamadas bandas nacionais de sempre, mas também através da divulgação do rock nos papéis de crítico de música, de radialista e de dono do Johnny Guitar, mítico clube lisboeta e sala de concertos, onde tantas e tantas bandas deram os seus primeiros passos. Combinando imagens de arquivo pessoais e da banda com entrevistas a familiares e amigos próximos, o documentário “Zé Pedro Rock ‘n’ Roll” é simultaneamente uma justa homenagem e uma viagem íntima à vida e ao mundo de um dos mais carismáticos músicos em Portugal, que faleceu em 2017.
Secundário
Partindo de uma série de fotografias de prisioneiros políticos, Susana Sousa Dias centra-se no período do Estado Novo, e realiza um documentário sobre os 48 anos de ditadura em Portugal (1926-1974). Mostrando os rostos das vítimas da PIDE, observamos cada imagem ouvindo, em voz off, o depoimento vivo da pessoa em questão, usando pausas e silêncios como interlocutores de sentido(s). Imagens e sons operam em zonas híbridas, entre o que se mostra e o que não se mostra, estabelecendo analogias, memórias, relações.
Trata-se do mais emblemático filme de propaganda ideológica feito pelo salazarismo. César Valente, perigoso agitador, regressa do exílio, vindo do Báltico, para desencadear a insurreição a 28 de Maio, no décimo ano da Revolução Nacional.
Mauro vive em prisão domiciliária. As tatuagens ajudam-no a queimar o tempo. Três putos do bairro aproximam-se da sua janela. Lá fora, o sol bate com a força do meio-dia. O filme recebeu vários prémios: 2009 - IndieLisboa - Melhor Curta-metragem portuguesa; 2009 - Festival de Cannes, categoria de Curtas-metragens - Palma de Ouro; 2009 - Faial Film Festival - Melhor Filme e Melhor Ficção; 2009 - Festival Internacional de Cinema de Luanda - Melhor Curta-metragem.
O documentário aborda o período que vai do 25 de Abril ao 1º de Maio de 1974, ilustrando a ação militar e a movimentação de rua tendentes ao desmantelamento do "aparelho social e político do fascismo".
"Cerromaior" retrata as injustiças da sociedade rural dos anos 30, marcada pela relação desigual entre o trabalhador agrícola e o latifundiário. Adriano é um jovem criado de uma família abastada que se dedica à agricultura no Alentejo e que regressa a casa depois de uma estada, falhada, em Lisboa. O realizador Luís Filipe Rocha dá corpo à estória de Manuel da Fonseca, que em 1943 escreveu este romance dedicado à solidão, miséria e desespero, num Portugal dominado pela ditadura.
Em Alfama, a cantadeira Ana Maria estreia-se em público num retiro de fado, alcançando um grande êxito. A sua carreira arranca subitamente, levando-a de seguida até ao teatro e a percorrer o circuito da vida boémia de Lisboa. Apesar de tudo, Ana Maria não se deixa contagiar pelo sucesso e continua ligada ao namorado, o Júlio guitarrista. Mas, entretanto, a atração por uma vida de luxo e celebridade acaba por complicar tudo e Júlio começa a pensar em partir para África. Trata-se de um dos melhores melodramas do cinema português da época, e uma homenagem à figura de Amália Rodrigues.
O filme acompanha António, um rapaz de 18 anos que frequenta as aulas no Instituto Jacob Rodrigues Pereira, uma escola e lar vocacionada para crianças surdas-mudas. O grande desejo de António é sair do país para estudar cinema e fazer carreira na Sétima Arte.
José e Pilar retrata a relação de José Saramago (prémio Nobel da literatura, português) e Pilar Del Rio (jornalista espanhola). Baseado no registo do seu dia a dia em Lanzarote, a sua casa, e nas suas viagens de trabalho pelo mundo, este filme apresenta-se como um retrato intimista do casal. A obra fílmica tem como ponto de partida o processo de criação, produção e promoção do romance "A Viagem do Elefante". Ao longo do documentário, a ficção literária irá funcionar como metáfora do percurso do próprio Saramago, desde o momento inicial da construção da história em Lanzarote (2006) até ao lançamento do livro no Brasil (2008). Desta maneira, a dura e custosa viagem do elefante irá refletir, quer a jornada do autor durante o processo de criação do livro, quer a narrativa fílmica.
Ana nasceu na pequena vila de Rabo de Peixe, em São Miguel (Açores), um lugar dominado pelas tradições e também por um certo obscurantismo religioso. Sentindo-se presa, o seu grande sonho é ir para um lugar onde possa ser quem quiser. Uma produção da Terratreme com a francesa La Belle Affaire, este filme tem assinatura de Cláudia Varejão ("No Escuro do Cinema Descalço os Sapatos", "Ama-San", “Amor Fati”). Nas palavras da realizadora, “Lobo e Cão” fala sobre “o que é ser jovem num território cercado pelo mar e, nestes contextos em particular, de bastantes dificuldades económicas e sociais”, onde a ambição de “atingir outros lugares, outros conhecimentos, para concretizar o sonho, está mais comprometida”.
Uma praia de pescadores, o mar que a pouco e pouco vai conquistando a terra. A luta do homem com o mar e sobretudo a luta entre a tradição e o progresso. No centro do drama estão as relações sentimentais, difíceis e quase absurdas que unem um pescador, Adelino, de regresso da guerra de África e duas mulheres, Júlia, uma mulher do mar (à moda antiga), e Albertina, uma operária misteriosa e selvagem. Voltando do Ultramar, Adelino encontra Júlia, a sua antiga namorada, casada com o seu irmão. O drama surge ... Albertina, a operária, desafia-o a partir, a mudar de vida.
Portugal, finais dos anos 60. Tomás Palma Bravo, o Delfim, o Infante, é o herdeiro de um mundo em decomposição. É dono da Lagoa, da Gafeira, de Maria das Mercês, sua mulher infecunda, de Domingos, seu criado preto e maneta, de um mastim e de um Jaguar que o leva da Gafeira a Lisboa e às prostitutas. Um caçador, detective e narrador, que todos os anos volta à Lagoa para caçar patos reais, descobre, um ano depois, que Domingos apareceu morto na cama do casal Palma Bravo e que Maria das Mercês apareceu a boiar na Lagoa. Quanto a Tomás Palma Bravo e ao mastim, dizem-lhe que desapareceram sem deixar rasto e que da neblina da Lagoa se ouvem agora misteriosos latidos.
Júlio, de dezanove anos, desloca-se da província para Lisboa, tentando a sorte e procurando ganhar a vida como sapateiro. Mal chega, um acaso leva-o a conhecer Ilda, uma jovem da sua idade, empregada doméstica numa casa perto da oficina. O jovem sente-se num ambiente estranho e hostil, e a cidade inquieta-o. Começa a desconfiar de Ilda, que acaba com o namoro, e, impulsivo, provoca a tragédia.
Uma história de iniciação na idade adulta: em férias na estalagem de uma tia, à beira mar, Miguel encontra Luísa, o pescador João e o Dr. Fernando, três personagens que marcarão a entrada da sua primeira “pedra no bolso”. *integra o projeto/plataforma CinEd
