2.º Ciclo
Na manhã do dia 24 de Dezembro, um cargueiro entra no porto. A bordo, traz um clandestino, que tenta, durante a noite, alcançar terra firme. Ao longo da corda, o caminho que o levará à liberdade é longo e penoso. Desesperado e nos limites das suas forças, é salvo por um polícia que o deixa ir. Confuso, corre cegamente, convencido de que o polícia queria atingi-lo pelas costas... e então ouve um grito à distância: “Feliz Natal!!” Baseado no conto “O Viajante Clandestino”, extraído do livro “Gente da Terceira Classe” de José Rodrigues Miguéis.
Secundário
Partindo de uma série de fotografias de prisioneiros políticos, Susana Sousa Dias centra-se no período do Estado Novo, e realiza um documentário sobre os 48 anos de ditadura em Portugal (1926-1974). Mostrando os rostos das vítimas da PIDE, observamos cada imagem ouvindo, em voz off, o depoimento vivo da pessoa em questão, usando pausas e silêncios como interlocutores de sentido(s). Imagens e sons operam em zonas híbridas, entre o que se mostra e o que não se mostra, estabelecendo analogias, memórias, relações.
Trata-se do mais emblemático filme de propaganda ideológica feito pelo salazarismo. César Valente, perigoso agitador, regressa do exílio, vindo do Báltico, para desencadear a insurreição a 28 de Maio, no décimo ano da Revolução Nacional.
Mauro vive em prisão domiciliária. As tatuagens ajudam-no a queimar o tempo. Três putos do bairro aproximam-se da sua janela. Lá fora, o sol bate com a força do meio-dia. O filme recebeu vários prémios: 2009 - IndieLisboa - Melhor Curta-metragem portuguesa; 2009 - Festival de Cannes, categoria de Curtas-metragens - Palma de Ouro; 2009 - Faial Film Festival - Melhor Filme e Melhor Ficção; 2009 - Festival Internacional de Cinema de Luanda - Melhor Curta-metragem.
O documentário aborda o período que vai do 25 de Abril ao 1º de Maio de 1974, ilustrando a ação militar e a movimentação de rua tendentes ao desmantelamento do "aparelho social e político do fascismo".
"Cerromaior" retrata as injustiças da sociedade rural dos anos 30, marcada pela relação desigual entre o trabalhador agrícola e o latifundiário. Adriano é um jovem criado de uma família abastada que se dedica à agricultura no Alentejo e que regressa a casa depois de uma estada, falhada, em Lisboa. O realizador Luís Filipe Rocha dá corpo à estória de Manuel da Fonseca, que em 1943 escreveu este romance dedicado à solidão, miséria e desespero, num Portugal dominado pela ditadura.
Em Alfama, a cantadeira Ana Maria estreia-se em público num retiro de fado, alcançando um grande êxito. A sua carreira arranca subitamente, levando-a de seguida até ao teatro e a percorrer o circuito da vida boémia de Lisboa. Apesar de tudo, Ana Maria não se deixa contagiar pelo sucesso e continua ligada ao namorado, o Júlio guitarrista. Mas, entretanto, a atração por uma vida de luxo e celebridade acaba por complicar tudo e Júlio começa a pensar em partir para África. Trata-se de um dos melhores melodramas do cinema português da época, e uma homenagem à figura de Amália Rodrigues.
O filme acompanha António, um rapaz de 18 anos que frequenta as aulas no Instituto Jacob Rodrigues Pereira, uma escola e lar vocacionada para crianças surdas-mudas. O grande desejo de António é sair do país para estudar cinema e fazer carreira na Sétima Arte.
José e Pilar retrata a relação de José Saramago (prémio Nobel da literatura, português) e Pilar Del Rio (jornalista espanhola). Baseado no registo do seu dia a dia em Lanzarote, a sua casa, e nas suas viagens de trabalho pelo mundo, este filme apresenta-se como um retrato intimista do casal. A obra fílmica tem como ponto de partida o processo de criação, produção e promoção do romance "A Viagem do Elefante". Ao longo do documentário, a ficção literária irá funcionar como metáfora do percurso do próprio Saramago, desde o momento inicial da construção da história em Lanzarote (2006) até ao lançamento do livro no Brasil (2008). Desta maneira, a dura e custosa viagem do elefante irá refletir, quer a jornada do autor durante o processo de criação do livro, quer a narrativa fílmica.
Ana nasceu na pequena vila de Rabo de Peixe, em São Miguel (Açores), um lugar dominado pelas tradições e também por um certo obscurantismo religioso. Sentindo-se presa, o seu grande sonho é ir para um lugar onde possa ser quem quiser. Uma produção da Terratreme com a francesa La Belle Affaire, este filme tem assinatura de Cláudia Varejão ("No Escuro do Cinema Descalço os Sapatos", "Ama-San", “Amor Fati”). Nas palavras da realizadora, “Lobo e Cão” fala sobre “o que é ser jovem num território cercado pelo mar e, nestes contextos em particular, de bastantes dificuldades económicas e sociais”, onde a ambição de “atingir outros lugares, outros conhecimentos, para concretizar o sonho, está mais comprometida”.
Uma praia de pescadores, o mar que a pouco e pouco vai conquistando a terra. A luta do homem com o mar e sobretudo a luta entre a tradição e o progresso. No centro do drama estão as relações sentimentais, difíceis e quase absurdas que unem um pescador, Adelino, de regresso da guerra de África e duas mulheres, Júlia, uma mulher do mar (à moda antiga), e Albertina, uma operária misteriosa e selvagem. Voltando do Ultramar, Adelino encontra Júlia, a sua antiga namorada, casada com o seu irmão. O drama surge ... Albertina, a operária, desafia-o a partir, a mudar de vida.
Portugal, finais dos anos 60. Tomás Palma Bravo, o Delfim, o Infante, é o herdeiro de um mundo em decomposição. É dono da Lagoa, da Gafeira, de Maria das Mercês, sua mulher infecunda, de Domingos, seu criado preto e maneta, de um mastim e de um Jaguar que o leva da Gafeira a Lisboa e às prostitutas. Um caçador, detective e narrador, que todos os anos volta à Lagoa para caçar patos reais, descobre, um ano depois, que Domingos apareceu morto na cama do casal Palma Bravo e que Maria das Mercês apareceu a boiar na Lagoa. Quanto a Tomás Palma Bravo e ao mastim, dizem-lhe que desapareceram sem deixar rasto e que da neblina da Lagoa se ouvem agora misteriosos latidos.
Júlio, de dezanove anos, desloca-se da província para Lisboa, tentando a sorte e procurando ganhar a vida como sapateiro. Mal chega, um acaso leva-o a conhecer Ilda, uma jovem da sua idade, empregada doméstica numa casa perto da oficina. O jovem sente-se num ambiente estranho e hostil, e a cidade inquieta-o. Começa a desconfiar de Ilda, que acaba com o namoro, e, impulsivo, provoca a tragédia.
Uma história de iniciação na idade adulta: em férias na estalagem de uma tia, à beira mar, Miguel encontra Luísa, o pescador João e o Dr. Fernando, três personagens que marcarão a entrada da sua primeira “pedra no bolso”. *integra o projeto/plataforma CinEd
