1.º Ciclo
Mais do que uma jornada migratória, este filme é uma comovente carta de amor aos antepassados do realizador, Luigi e Cesira Ughetto, naturais do Piemonte e forçados a emigrar. Com um imaginário terno e poético, entrelaçado com uma forte carga histórica, esta obra de vibrante complexidade conquistou o Prémio do Júri no prestigiado Festival de Annecy.
A transmissão de experiência entre mães e filhas, como um diário de alguém, memória de uma experiência que passa o testemunho, é o imprescindível abraço, o profundo sentimento que nos permite dar passos em frente e continuar a amar.
As noites são dias escondidos do outro lado dos nossos desejos. Mas algumas permanecem como sombras flutuantes a deformar as imagens indefesas do quotidiano. Rostos feridos de ausência, figuras hirtas de silêncio, terras salpicadas de sangue... E vão morrendo adormecidos, indiferentes, até que as manhãs aconteçam. A partir de escritos de Jorge de Sena, das icónicas caricaturas de João Abel Manta sobre os anos de Salazar, e da música de Zeca Afonso, uma equipa de criativos do estúdio de animação Filmógrafo (Abi Feijó, Clídio Nóbio, Manuel Tentúgal, Márcia Luças, Luísa Leal, Tita Costa, Tito Morais e Riu Braz) concebe um filme panorâmico sobre a história de Portugal durante o século XX: da Guerra Colonial, a propaganda fascista, o capitalismo, o clericalismo, a repressão da PIDE, até às esperança.
Nuno, um rapaz de nove anos, foge de casa na noite de 24 de Abril de 1974. Está farto das discussões entre a mãe e o padrasto e decide ir ter com o seu pai. Só que não sabe onde o pai mora. Para se esconder da polícia, esconde-se num grande edifício que está a ser abandonado à pressa. Partem carros e pessoas em grande velocidade, ninguém dá por Nuno. Só fica ele com um cão de guarda. A noite já vai tarde e Nuno e o cão adormecem abraçados. Acordam de manhã com gritos vindos da rua. Nuno pensa que é a sua mãe à sua procura e corre à janela ver o que se passa. A rua está cheia de gente, há tanques e soldados. É o 25 de Abril. E Nuno está convencido que foi a sua mãe que fez a revolução só para o encontrar. Só mais tarde saberá que foi na PIDE que se foi esconder naquela noite.
Portugal sente-se um pequeno País na cauda da Europa. Tem um coração errante, um espírito aventureiro, uma alma amargurada e um corpo obediente. Através da colagem, esta animação atravessa uma série de eventos da História de Portugal, num registo satírico que nos oferece uma perspetiva singular sobre a História de Portugal, repleta de criatividade e narrada em pouco mais de cinco minutos.
O mundo parece estar à beira do fim, marcado pelos vestígios deixados pela presença humana. Um gato, solitário por natureza, vê a sua casa ser destruída por uma cheia catastrófica. Encontra refúgio num barco habitado por diversas espécies, com as quais terá de colaborar, apesar das suas diferenças. Neste barco à deriva, que navega por entre paisagens místicas e inundadas, os animais terão de enfrentar os desafios e perigos de se adaptarem a um novo mundo.
Do realizador de “Away”, Gints Zilbalodis, traz uma reflexão silenciosa protagonizada por animais ternurentos e revela que a sobrevivência num mundo em mudança depende da união e da colaboração, mesmo entre os mais improváveis aliados. Estreado na prestigiada secção Un Certain Regard do Festival de Cannes, “Flow – À Deriva” conquistou tanto o público como o júri no Annecy International Animation Film Festival, o maior festival de animação do mundo, tendo vencido o Óscar® e o Globo de Ouro de Melhor Filme de Animação.
Um homem e o seu filho saltam de pára-quedas todos os dias, da sua casa fria e vertiginosa presa no alto de um precipício, para se deslocarem à aldeia que se situa na planície abaixo, onde vendem o gelo que produzem durante a noite.
Em 1975, Ema estava à espera da chegada do seu primeiro filho, em Angola. No entanto a sua espera tranquila foi abruptamente interrompida por uma força que a retirou do seu conforto e mudou a sua vida para sempre.
Rosa, uma profissional de topo, altamente cotada no mercado empresarial, leva uma vida exigente e inteiramente dedicada ao seu trabalho. A morte do avô, de quem se tinha progressivamente afastado, devido ao trabalho inesgotável, acaba por lhe provocar um súbito ataque de stress que coloca em dúvida as suas escolhas. Rosa decide, então, abandonar a cidade e partir ao encontro do lugar e das memórias da sua infância, vivida ao lado do seu avô. Ao chegar à propriedade isolada, no meio da paisagem transmontana, descobre que o avô lhe deixou um conjunto de terras praticamente abandonadas e a casa da sua infância quase em ruínas. Levada pelo remorso e pela necessidade de encontrar novo rumo para si, tenta reconstruir a casa e os campos. Rosa, contudo, não está sozinha. Além das pessoas com quem estabelecerá novos laços, surge um grupo de demónios de barro modelados...
Com o mar e um Algarve urbano como pano de fundo, seguimos um ciclo completo da vida de um molusco especial chamado PERCEBES. Um verdadeiro retrato de resistência.
Curta-metragem de animação documental que tem como base uma conversa gravada entre mãe, Joana, e filha, Alice, com 3 anos de idade e a recuperar de um cancro do rim. Ao longo da conversa falam, de uma forma muito aberta e franca, sobre a doença, o presente, as lutas e conquistas de ambas.
2.º Ciclo
Na manhã do dia 24 de Dezembro, um cargueiro entra no porto. A bordo, traz um clandestino, que tenta, durante a noite, alcançar terra firme. Ao longo da corda, o caminho que o levará à liberdade é longo e penoso. Desesperado e nos limites das suas forças, é salvo por um polícia que o deixa ir. Confuso, corre cegamente, convencido de que o polícia queria atingi-lo pelas costas... e então ouve um grito à distância: “Feliz Natal!!” Baseado no conto “O Viajante Clandestino”, extraído do livro “Gente da Terceira Classe” de José Rodrigues Miguéis.
