Pré-escolar
Era uma vez uma menina que, mesmo quando saía à rua, andava sempre distraída com os olhos agarrados ao telemóvel. Não reparava no mundo que a rodeava nem em quem com ela queria brincar. Que fazer para lhe desocupar o olhar? Este filme esteve presente em inúmeros Festivais e ganhou o prémio de Melhor Curta-Metragem de Animação no Festival Internacional de Cinema Infantil de Quioto, no Japão. Além disso, foi nomeado para os Prémios Quirino e para os Prémios Sophia em 2025.
"Numa cidade onde a natureza foi proibida, o pequeno crime de um homem simples desencadeia consequências inesperadas."
2.º Ciclo
Na manhã do dia 24 de Dezembro, um cargueiro entra no porto. A bordo, traz um clandestino, que tenta, durante a noite, alcançar terra firme. Ao longo da corda, o caminho que o levará à liberdade é longo e penoso. Desesperado e nos limites das suas forças, é salvo por um polícia que o deixa ir. Confuso, corre cegamente, convencido de que o polícia queria atingi-lo pelas costas... e então ouve um grito à distância: “Feliz Natal!!” Baseado no conto “O Viajante Clandestino”, extraído do livro “Gente da Terceira Classe” de José Rodrigues Miguéis.
3.º Ciclo
Carla Nowak, uma professora dedicada de Educação Física e Matemática, inicia o seu primeiro emprego numa escola secundária. Destaca-se dos outros docentes graças ao seu idealismo. Quando há uma série de roubos na escola e se suspeita de um dos seus alunos, ela decide investigar o caso. Carla tenta mediar entre pais indignados, colegas obstinados e alunos agressivos, mas vê-se implacavelmente confrontada com as estruturas do sistema escolar. Quanto mais desesperadamente tenta agir de forma correcta, mais a jovem professora se aproxima do seu limite.
No seu primeiro filme de ficção, a basca Estibaliz Urresola Solaguren mostra-nos o verão de uma família cuja filha transgénero, com oito anos, sente desconforto quando toda a gente continua a tratá-la como um rapaz. A história é inspirada no suicídio real de Ekai Lersundi, um rapaz de 16 anos que morreu em 2018. Com Sofía Otero no papel principal, à frente de um elenco que inclui também Patricia López Arnaiz e Ane Gabarain, o filme teve estreia na edição de 2023 do Festival de Berlim, onde ganhou três prémios, incluindo um Urso de Prata para Otero. PÚBLICO
Em plena 2.ª Guerra Mundial, um pobre casal de lenhadores vivia numa vasta floresta, cercados por um ambiente de frio, fome, miséria e guerra que tornavam a vida insuportável. Um dia, a pobre lenhadora encontra um bébé na neve, lançado de um dos muitos comboios que atravessavam a floresta. O bébé é protegido pelo casal e acaba por transformar por completo a vida daquele casal, mas também do homem que atirou a pequena «mercadoria» pelo comboio. O filme, de Michel Azanavicius, realizador de ascendência judaica, adapta o conto homónimo de Jean-Caude Grumberg, escritor e dramaturgo francês cujos avós e pais foram brutalmente assassinados em Auschwitz.
O filme Cerromaior retrata as injustiças da sociedade rural dos anos 30, marcada pela relação desigual entre o trabalhador agrícola e o latifundiário. Adriano é um jovem criado de uma família abastada que se dedica à agricultura no Alentejo e que regressa a casa depois de uma estada, falhada, em Lisboa. O realizador Luís Filipe Rocha dá corpo à estória de Manuel da Fonseca, que, em 1943, escreveu este romance dedicado à solidão, miséria e desespero, num Portugal dominado pela ditadura.
É como fuligem que se deposita nas paredes da nossa cabeça. Não a vemos. Já faz parte.
Um adolescente é forçado a trabalhar durante o verão numa torre de vigilância florestal, indiferente aos trabalhadores imigrantes nas estufas que o rodeiam. Trata-se de um drama que cruza as vivências do verão de um adolescente com a grave crise dos trabalhadores imigrantes nas estufas do litoral de Portugal.
A história do filme baseia-se livremente num texto para teatro escrito por dois escritores africanos consagrados, o angolano José Eduardo Agualusa e o moçambicano Mia Couto: “A Caixa Preta” (que mais recentemente foi reescrito como conto e incluído no livro “O Terrorista Elegante e Outras Histórias”, editado em 2019). No texto original, a história decorre inteiramente num único espaço no tempo atual. Entre muitas alterações, o filme acrescenta um tempo passado (1995), em decorre a busca de Nayola, guerrilheira relutante, pelo marido desaparecido na guerra civil. Este tempo alterna constantemente com a atualidade, o tempo da filha, Yara, ativista e rapper perseguida pelas autoridades (mais uma alteração à história original, inspirada nos acontecimentos mais recentes em redor do rapper Luaty Beirão) que se interroga sobre a ausência da mãe e do pai.
O filme aborda o problema da doença de Minamata (Kumamoto, Japão) uma forma grave de intoxicação por mercúrio. No início da década de 1970, o célebre fotógrafo da revista “Life”, W. Eugene Smith (no filme interpretado por Johnny Depp) documentou essa doença causada pela poluição industrial da empresa de químicos Chisso ( Chisso Corporation, no Japão). O filme de Andrew Levitas conta essa história e aborda questões ambientais, sociais, de responsabilidade ética, além de se focar na vida de um dos mais importantes fotojornalistas norte-americanos do século XX.
Após um estranho e misterioso evento, Grão nasce na horta, emergido da terra, como se fosse uma planta. Para Razina é um menino, e a criança é educada assim. Durante 17 anos Grão cresce, preso à horta. Um dia, Grão, já adulto, sai da terre e descobre o seu corpo. Será ele capaz de encontrar a paz interior partilhando um género biológico que não corresponde a sua identidade?
A partir das memórias afetivas e visuais da infância, a autora pretendeu fazer uma homenagem ao seu tio Tomás, um homem humilde e um pouco excêntrico que teve uma vida simples e anónima. Com este filme, diz a autora, «eu gostaria de testemunhar como não é preciso ser-se alguém para se ser excecional na nossa vida.»
Zé Pedro, o lendário guitarrista de Xutos e Pontapés, é para muitos a maior figura do rock ‘n’ roll português. Foi o grande impulsionador do género musical em Portugal, não só enquanto guitarrista fundador de uma das mais aclamadas bandas nacionais de sempre, mas também através da divulgação do rock nos papéis de crítico de música, de radialista e de dono do Johnny Guitar, mítico clube lisboeta e sala de concertos, onde tantas e tantas bandas deram os seus primeiros passos. Combinando imagens de arquivo pessoais e da banda com entrevistas a familiares e amigos próximos, o documentário “Zé Pedro Rock ‘n’ Roll” é simultaneamente uma justa homenagem e uma viagem íntima à vida e ao mundo de um dos mais carismáticos músicos em Portugal, que faleceu em 2017.
