PNC 2025-26
Filmografia disponível
Que não haja mais filmes que só possam ser exibidos na Cinemateca. Haja vontade de ver os filmes, haja programadores que os programem, haja comunidades.
José Manuel Costa, 2021 (1)
Introdução
A arte do cinema ocupa um lugar fundamental na cultura contemporânea ao nível da sua dimensão criadora, mas também enquanto indicador determinante na construção de identidade(s) coletiva (s). O impacto cultural que a imagem em movimento exerce nas sociedades contemporâneas, associado à sua urgência na formação e desenvolvimento de crianças e jovens, têm justificado a proliferação de iniciativas escolares nas áreas do cinema e do audiovisual e, naturalmente, de políticas públicas tendentes a dar mais centralidade à presença do cinema e do audiovisual nas comunidades educativas, nomeadamente o cinema português.
Desde há mais de uma década, o PNC tem desenvolvido a sua ação neste âmbito, enquanto política pública concertada entre a Cultura, Juventude e Desporto e a Educação, Ciência e Inovação, visando dar mais visibilidade ao cinema no sistema educativo, no quadro do Despacho 65/2022, de 5 de janeiro, que o promoveu para o horizonte de 2021-2030, através de trabalho articulado dos parceiros que o integram: o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e a Direção-Geral da Educação (DGE). Neste contexto, destaca-se a necessidade de implementar um conjunto de dinâmicas pedagógicas articuladas para divulgar o património fílmico junto do público-alvo escolar.
De facto, estando em curso o programa de digitalização do cinema português em alta-definição, a cargo da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, sabemos que a partir de 2022 o programa foi exponencialmente alargado através da linha de financiamento integrada no Plano de Recuperação e Resiliência português (PRR), num conjunto que abarca todo o universo histórico da longa-metragem e parte do da curta-metragem. O tempo tem dado valor ao cinema e esta constatação de que o património cinematográfico e audiovisual é fundamental para o coletivo é tão flagrante que os próprios poderes públicos têm assumido (mesmo que timidamente nalguns aspetos) a necessidade de preservar, restaurar e incentivar mais a divulgação deste extraordinário património.
Neste contexto, a emergência específica do denominado cinema de património tem vindo a ganhar espaço de exibição em nichos onde ele não se encontrava e mesmo noutros em que nem sequer existia. Esta evidência cruza decisivamente a história, preservação e digitalização do cinema português com os objetivos do PNC, tornou mais urgente o desenho de estratégias de divulgação deste património fílmico junto do público abrangido pela escolaridade obrigatória e esta prática tem sido uma opção clara na seleção de filmes a disponibilizar às escolas pelo PNC. É nossa convicção de que estamos perante uma importante mudança de paradigma, parece-nos que se pode e deve falar de cinefilia em moldes completamente diferentes e, na medida em que o avanço tecnológico possibilita a democratização do acesso à cultura cinematográfica e uma redescoberta (para muitos uma descoberta) do cinema em diversos suportes diferentes, o PNC não pode ser alheio a estas mudanças.
Critérios gerais da seleção filmográfica e adequação da filmografia disponível ao público-alvo
Numa primeira abordagem, torna-se necessário clarificar alguns pressupostos e e princípios, mas também constrangimentos e limitações com os quais a maioria dos utilizadores da filmografia disponível no PNC não estão familiarizados e que influenciam e/ou determinam a seleção dos filmes para o catálogo anual. Assim, são disponibilizados às escolas um conjunto de filmes que são recomendados com carácter de permanência, possibilitando o contacto dos alunos com obras reconhecidas como património relevante na História do Cinema Português.
Salvaguardados previamente todos os constrangimentos impostos pela necessidade de acautelar os direitos de autor e conexos, a seleção de obras cinematográficas que constam do Catálogo do PNC resulta de uma apreciação prévia que está a cargo da equipa técnica do PNC, que inclui elementos da Direção-Geral da Educação (DGE), da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema e do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA).
Em termos gerais, esta seleção resulta:
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Da articulação do PNC com a digitalização e preservação do património cinematográfico português, em curso a partir da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema.
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Da consulta e seleção de propostas provenientes, quer de entidades do setor do cinema e audiovisual, quer da área da educação e da pedagogia.
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Da articulação com os pressupostos constantes no Perfil dos Alunos à Saída da escolaridade Obrigatória, nas Aprendizagens Essenciais e na Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania.
O Catálogo do Plano Nacional de Cinema 2025-2026 está em atualização permanente, sendo os filmes licenciados ao longo de todo o ano letivo.
Integra uma coleção de filmes portugueses e internacionais e/ou coproduzidos por Portugal e/ou em Língua portuguesa, e constitui-se como um recurso que é disponibilizado de forma gratuita a todas as escolas inscritas no PNC, respeitando direitos autorais e conexos.
Resultando da aplicação de um conjunto prévio de critérios específicos, o Catálogo do PNC tem como referências a promoção da sensibilidade estética e artística dos alunos e a divulgação do património cinematográfico junto das comunidades educativas.
Os filmes são disponibilizados às escolas inscritas no PNC, através da Plataforma de Filmes do PNC, um serviço em streaming exclusivo para as escolas portuguesas e Escolas Portuguesas no Estrangeiro (EPE), operacionalizado em ambiente escolar, e/ou através de exibições em sala de cinema.
Caso não estejam inscritas no projeto, as escolas interessadas devem contactar a equipa do PNC através do email: pnc@dge.mec.pt
Nota: A distribuição dos filmes constantes no catálogo é sugerida por níveis de educação e ensino e tem por base a idade mínima a partir da qual podem ser visionados.
(1) In https://24noticias.sapo.pt/noticias/digitalizacao-do-cinema-portugues-e_61ba38734ac8d32e3a7c3224
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Nota bibliográfica
Cunha, Paulo (2018) - Uma Nova História do Novo Cinema Português. Lisboa, Portugal: Outro Modo/Le Monde Diplomatique.
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Moya-Jorge, Tamara (2019) - “Towards a film literacy canon: identification and multicultural analysis of the contents used in film education with pre-university students in Spain”. (2019). Communication & Society, 32(1), 235-249. https://doi.org/10.15581/003.32.37827 e https://www.academia.edu/38306911/Towards_a_film_literacy_canon_identification_and_multicultural_analysis_of_the_contents_used_in_film_education_with_pre_university_students_in_Spain (acedido em 30.07.2025)
Moreira, Cláudia (2016) - “O ICA e o(s) cânone(s) do cinema português”. In Atas do VI Encontro Anual da AIM, editado por Paulo Cunha, Susana Viegas e Maria Guilhermina Castro, 250-257. Lisboa: AIM. ISBN 978-989-98215-6-9.
Portugal, Paulo (2025) - Lumière Classics: A cinefilia digital e o “cinema do passado” In: Aniki - Revista Portuguesa da Imagem em Movimento, v. 12 n. 2, julho. file:///C:/Users/DGE/Downloads/1117-Texto%20Artigo-5156-2-10-20250722%20(1).pdf
Reid, M. (2018) ‘Film education in Europe: National cultures or European identity?’. Film Education Journal, 1(1):5-15.
https://www.researchgate.net/publication/325827179_Film_education_in_Europe_National_cultures_or_European_identity
Rosenbaum, Jonathan (2004) - Essential Cinema: On the Necessity of Film Canons, Baltimore, USA, Johns Hopkins University Press.